segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O INÍCIO


Lembro-me muito bem.
Estava sentado no barranco junto ao acesso para a garagem de minha casa. Naquele tempo não havia pavimentação sobre a rua em frente, tampouco calçada para pedestres, mas havia uma vala entre a calçada e a rua, por onde seguiam as águas de chuva além de outras de origens diversas.
Enquanto olhava o pequeno córrego, pensei distraídamente: Como é que a gente vive dia após dia, inverno e verão mas nosso corpo sobrevive.... Não apodrece. Não se deteriora como uma fruta ou como um naco de carne recém adquirida num açougue.
Tinha eu oito anos de idade.

Comforme o tempo passava, foi despertando em mim um prazer nas viagens e passeios que fazíamos em família: A viagem para a praia do Cassino em Rio Grande e o passeio pelos molhes de pedra,cujo percurso na estrutura metalica que corria sobre os trilhos,empurrada pelo vento parecia uma cena Quixotesca. Aos quinze anos uma longa aventura numa Vemaguete (pequena camionete da DKW)levou eu, minha irmã mais nova e meus pais para uma viagem desde Porto Alegre até o Rio de Janeiro a uma velocidade média de 70 km por hora. Espetáculo guardado na memória.

Os tempos de estudo para concluir o curso científico e ingressar na Universidade, não inibiram a alegria de viajar de carona com um amigo de infância para o Rio de Janeiro novamente, mas desta vez com direito a dormir nos grandes tubos de concreto do futuro aterro do Flamengo. Era 1971 e naquele tempo foi possível dormir na praia e acordar com os banhistas em volta...Bons tempos.

Em 1979 comprei minha primeira moto, uma Honda ML 125 preta. As pequenas viagens para Tramandaí, Balneário Camboriú e Gramado me deram ânimo para sonhar...
Mas num curso de especialização na Universidade de Brasília em 1980 me furtaram parte do sonho e a moto.

Em 1983 para fugir de um pesadêlo, comprei uma Honda XL 250R e partí para uma viagem de trinta dias desde Porto Alegre até Fortaleza, um fato permeado de revelações e emoções surpreendentes.

Ao retornar da viagem, compromissos profissionais abafaram por um longo tempo o sonho adolescente de correr o mundo.

Hoje, depois de 23 anos adquirí outra moto, a Nêga Blue, uma Honda Shadow vt 600, que me levará para a mais nova aventura: Glaciares com Ushuaia na Argentina, claro que depois de testa-la no ano passado em duas viagens, uma pelo Deserto do Atacama até Pucón no Chile e outra até Buenos Aires, com um bom percorrido pelo litoral oriental do Uruguai.

O sonho parece que resurgiu, sacudiu suas asas..

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