segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DE PORTO ALEGRE A FORTALEZA - 1983




Saímos de Porto Alegre pela manhã, tomamos a Free-Way e seguimos para Santa Catarina.

O ar fresco animava nossa aventura enquanto o ronco do mono cilindro “cantava” dentro do capacete. Dormimos em Capão da Canoa, cidade litorânea do RS na casa de praia do Alberto.

Dia 1º - Terça - feira

A XL250R recém adquirida estava “faceira” por percorrer as estradas, enquanto a CB400 carregava o Alberto e seu irmão.

Pela BR 101 cruzamos Santa Catarina, parando em Joinville para comer umas empadas famosas na região e seguimos para Curitiba onde estava programada a revisão da branquinha.

No transito confuso da cidade, me perdi dos dois. Busquei a concessionária Honda e entreguei a moto para a revisão enquanto aguardava ansioso a possibilidade da dupla aparecer.

Início da noite e nada....Liguei para o Ronaldo, um ex-colega de universidade que prontamente convidou-me para passar a noite.

Dia 2 – Quarta-feira

Após o café da manhã arrumei a pequena bagagem e toquei para São Paulo pela rodovia Régis Bittencourt entrando em postos de gasolina a fim de me informar sobre dois sujeitos em um CB400. Perto da cidade de Registro, desviei para o litoral no sentido de Santos. Começava a chover forte.

Encontrei um hotelzinho simples e me recolhi para planejar o dia seguinte.

Dia 3 – Quinta-feira

Chovia quando acordei, mas resolvi seguir para São Sebastião pela Rio-Santos ainda em construção.

Na saída de Guarujá, num semáforo, encostou junto a mim um paulista com sua Yamaha DT que seguiria para Caraguatatuba pela estrada enlameada. Sem pestanejar disse que seguiria com ele. Que fria.... Foi meu primeiro teste em andar no barro e sob muita chuva. Consegui fazer 80 km em quatro horas de um sofrimento sem trégua. Caí três vezes no barro que cobria o para lama da XL. Quebrei os dois manetes que restaram dois pedacinhos. As luvas furaram de tanto roçar no que sobrou. Mais um tombo no barro, desta vez arremeçando minha bagagem pela estrada. Após descer uma ribanceira enxerguei a placa de um camping. Estou salvo. Tremia muito de frio, estava todo molhado e embarrado.

Montei minha barraca sob uma árvore e fui tomar banho para comer algo e dormir.

Dia 4 – Sexta-feira

Amanheceu sem chuva. Tomei um café na administração do camping e solicitei minha despesa. Ao buscar o dinheiro para pagar, tomei outro susto: a carteira, dinheiro, documentos e outros papéis haviam sumido.

Subi na moto e retornei pela estrada no intuito de encontrá-los próximos dos locais onde caí.

Ao chegar a um local onde havia um telefone público e uma fila de espera, perguntei para uma menina onde haveria um posto policial. Para quê? Perguntou ela. Preciso registrar um Boletim de Ocorrência, pois perdera meus documentos e dinheiro e deveria sustar o talão de cheques.

Pois seus documentos estão comigo disse ela. Estou na fila para ligar para Porto Alegre no nº que está na sua agenda. Não acreditei......

Devolveu-me tudo e eu lhe dei a metade do dinheiro que havia na carteira (e era bastante).

Agradeci e fui pagar a conta no camping para seguir rápido para o Rio de Janeiro.

Dia 5 – Sábado

Tocando rápido já que o sol e o calor me acompanhavam, cheguei a tardinha num Camping Clube do Brasil em Cabo Frio que me deixaram entrar mesmo não sendo sócio.

Dia 6 – Domingo

Cabo Frio, dia para lavar a roupa, descansar, beber umas cervejas e preparar a viagem. A praia convidava para um mergulho.

Dia 7 – Segunda-feira

Saio do camping por volta de 06h30min com um único objetivo: fazer o maior percurso possível durante o belo dia que se anunciava.

Cheguei com surpresa as 9,30 hs na cidade de Campos onde encontrei uma oficina de motos para dar um trato na máquina e trocar a viseira do capacete.

As 11,00 hs peguei estrada em direção a Marataízes no ES. Na praia sentei-me num boteco e comí peixe frito com bolinhos de queijo e cerveja.

Seguí viagem para Guaraparí.Ao beber uma água de côco, chegaram cinco paulistas com suas motos que seguiriam para Recife.

Depois de um bom papo, resolvi que seguiria com eles no dia seguinte, não sem antes dar uma chegada em Vitória para encontrar a Ligia, uma colega de um curso de especialização realizado em Brasília no ano anterior. Não encontrei o endereço que havia anotado, retornando rápido para Guaraparí fugindo da noite que se aproximava.

Em Guaraparí busquei o hotel que havíamos combinado, tomei uma boa ducha para sairmos pela cidade e jantar em algum lugar típico.

À noite, num bate-papo fiquei sabendo que o Carlinhos (Honda 750), o Gilberto (Honda 750) e o Daniel (Honda cb400) eram pilotos de prova fotografando para uma revista.

Dia 8 – Terça-feira

Saída de Guarapari as 7,00hs com destino a Vila Velha, visitando a Igreja da Penha com direito a uma bela vista da região, compra de postais e algumas fotos. Almoçamos em Linhares.

Novamente na estrada, furou o pneu da moto do Carlinhos, nosso batedor. Perda de uma hora.

Ao retomarmos a viagem começou uma chuva forte que obrigou a uma redução da velocidade (graças ao bom céu). Começou a escurecer e a chuva não dava trégua.

Ao avistarmos um posto de gasolina com restaurante e dormitório, não duvidamos: É aqui mesmo. Estávamos próximos a Teixeira de Freitas.

Dia 9 – Quarta-feira

As 7,30 hs saímos com uma garoa tranqüila.

Depois de rodar algumas horas, chegamos a Monte Pascoal e fizemos algumas fotos junto a um grupo indígena sem é claro, deixar de comprar alguns colares típicos.

Partimos para Porto Seguro.

Rodamos pela orla, fotografamos e nos hospedamos na Pousada Cosme e Damião.

A noite foi estressante: muita cerveja, moqueca de peixe no capricho e caminhada.

Dia 10 – Quinta-feira

Não dormi a noite toda. Minha vista doía e coçava muito.

Pela manhã vi meus olhos congestionados e vermelhos, fruto do esquecimento (manguaça), em não retirar as lentes de contato para dormir.

A dor era insuportável e não conseguia sequer abrir as pálpebras.

Os colegas preparavan-se para partir e eu deitado com um pano molhado sobre o rosto para diminuir o incômodo.

Perto do meio-dia, já sozinho (a turma havia partido), saí com algum sacrifício para encontrar uma farmácia. Indicaram-me um colírio e um antibiótico. Nada funcionava.

O dono da pousada vendo meu estado preparou um macerado de ervas com alho e baforada em meus olhos (??????)

À tardinha, sem resultados, fui procurar um médico no hospital (?) da cidade. O diagnóstico: Insolação, vento e maresia, cujo tratamento indicado foi uns comprimidos para reduzir a coriza e um colírio anestésico.

Fiquei até as 19,00 hs na cama sem me alimentar.

Uma hora depois, saí para jantar e caminhar um pouco porque estava me sentindo melhor. Na pousada comecei a enrolar meus trapos...

Dia 11 – Sexta-feira

Saída de Porto Seguro com a vista intumescida, hospedagem cara, dia nublado, bom para dirigir. De tempos em tempos eu parava para aplicar o sedativo ocular. Em Itabuna comprei mais medicamentos em uma farmácia.

Almocei na Churrascaria Estrela do Sul. Comí carne de sol e toquei devagar pela estrada.

Pelo caminho seguí com dois motociclistas paulistas até Salvador.

Chegada ao ferry-boat da Ilha de Itaparica por volta das 16,30 hs.

Estou muito sujo e cansado.

Em Salvador, por volta das 20,00 hs, encontro o Antonio Pedro, um colega baiano que também havia feito aquele curso de especialização em Brasília. Sou convidado a permanecer em sua casa até me recuperar. “Gracias a la vida...”

Dia 12 - Sábado - Carnaval

Aproveito para lavar roupas enquanto minha visão vai lentamente melhorando.

Almoço e janto em casa de Antonio Pedro. Cama...

Dia 13 – Domingo –Carnaval

Acordo melhor.

Vou até a praia. Piatã, Itapoá, Praia e Farol da Barra. Aproveito para “beliscar” umas “lambretas”, martelar alguns caranguejos, estou no céu...

Ao anoitecer provo um “sururu” e me encaminho para jantar com o meu anfitrião. Amanhã sigo meu caminho

Dia 14 – Segunda-feira

Na manhã de carnaval com garoa, me despedi e peguei estrada com minha XL.

Antes do meio dia estava em Aracajú. A cidade é linda e o dia estava bonito. A pedida foi esticar as pernas na praia de Atalaia.

Dou uma volta pela orla e cumprimento um cabra de XL vermelha, o qual inicia um bate-papo. Falo da minha viagem e dos paulistas que encontrei em Marataízes enquanto sigo para o “Mar Hotel”.

A surpresa é total quando identifico a turma de Sampa. Fazemos uma grande festa no meio da rua, comemos acarajé e acertamos almoçar no hotel, junto à piscina. Rolou Chimarrão e cachaça.

Decidimos pegar estrada e dormir em Maceió.

A noite chega cedo e somos obrigados a tocar na média de 100 km/h pela escuridão.

De repente a moto do Carlinhos (sempre na frente), pula por cima de uma pedra do tamanho de um côco estou bem atrás e observo que ele conseguiu controlar a moto. Numa curva adiante a moto dança e ele faz sinal de alerta. Paramos e pintou a surpresa: quebrou a roda dianteira e murchou o pneu. Sorte que estávamos na entrada de Maceió.


Dia 15 - Terça-feira

Chove constantemente em intervalos. Vamos para a praia do Frances. Comida farta: Acarajé, peixe-frito, sururu ao côco, camarão no espeto e no côco, manjar de deuses. O sol está forte e a praia convidou para um mergulho. Alguns fazem caça submarina com sucesso. Por volta das 15,00 hs partimos em direção a Marechal Deodoro, com seu casario histórico e gente agradável.

Visitamos a CSA onde nasceu o proclamador da República e o presídio onde sua mãe estivera

presa na época de seu nascimento.

Retornamos a Maceió. Novamente perco meus documentos e começa a chover forte. Retorno a cidade histórica, consulto pessoas sem sucesso e na estrada, dirigindo lentamente, encontro próximo de um grupo de pessoas, os documentos e o dinheiro, espalhados pelo chão sem que eles percebessem (obrigado anjo da guarda).

De volta ao hotel em Maceió, eu e o Valdir tomamos um banho e saímos para jantar e conhecer a cidade.

Dia 16 – Quarta-feira

Ao acordar descido viajar sozinho, pois a roda da moto do Carlinhos chegará somente à tarde e meu cronograma está comprometido.

Rumo para Recife sem problemas e sem a viseira do capacete que quebrara na praia do Francês. Passeio pelo centro da cidade, não me agrada e prefiro descansar em Olinda.

A cidade é pequena, romântica e encontro na praça central um final de carnaval: é o bloco do Bacalhau com Batata, que já ouvi falar lá em Porto Alegre. Anima e encerra a folia de Olinda. Bebo e lancho com pessoas simpáticas, indagando sobre pousadas locais. Não existem vagas. O jeito é armar a barraca na praia ao lado do quartel do exército que oferece segurança.

Dia 17-Quinta-feira

Amanhece e eu estou de pé, olhando o mar. Arrumo tudo, tiro uma foto do local e vou a cidade conhecer alguns patrimônios arquitetônicos: Igreja da Sé, Convento São Francisco, etc., depois pego o rumo de João Pessoa.

Chego à capital por volta de 9:00 hs e vejo que perdi o endereço do Reinaldo (mais um colega daquele curso). Procuro em vão pelo catálogo telefônico.

A saída é ir à Secretaria da Saúde, onde ele é funcionário. O encontro é imediato e a surpresa dele é grande. Após o expediente, saímos para conhecer a cidade e almoçar na praia (Restaurante Poço). A pedida foi moqueca de caranguejo, mas poderia ser qualquer outro prato, afinal na Paraíba se come muito bem.

À noite, jantamos coisas da terra (guisado de bode, etc.) e rolou até chimarrão na casa de sua noiva, que conhecia alguns hábitos gauchescos. Dormimos por volta de 1:00 hs depois de houvir bela seresta cantada pelo seu pai e irmãos.

Dia 18-Sexta-feira

Depois do café saímos para fotografar o ponto mais oriental do país.

Saio de João Pessoa as 10:00 hs e pego a BR-101 rumo ao Rio Grande do Norte.

A estrada está boa e o tempo firme. Passando por canaviais, chego rápido em Natal e vou olhar o Morro do Careca em Ponta Negra. Como o vento está forte na praia, sigo para o centro da capital e procuro um hotelzinho para pernoitar e dar uma volta na noite.

Após me empapuçar de tanto comer caranguejos, vou para o hotel esticar as costas.

Dia 19-sábado

Pela manhã, decido tocar para o Ceará e tentar atingir meu objetivo: Fortaleza.

Através da BR-304 sigo minha rota solitária e entro em Mossoró, para almoçar em algum lugar sombreado. Para minha surpresa depois de comer um assado de bode, percebo que o pneu traseiro da moto está murcho, fruto de um pedaço de prego encravado na borracha.

Após o conserto em uma borracharia, sigo para meu objetivo final sob um calor de lascar.

Depois de sair da BR-304 e entrar na BR-116, após rodar alguns quilômetros, percebo que o pneu dianteiro está um pouco vazio e cada vez mais... Chego com dificuldade até Cristais, um lugarejo com pouca estrutura, mas com uma oficina precária onde pude consertar outro furo, provavelmente um corte provocado pelas imperfeições da pista.

Apesar de faltarem somente 100 km para atingir Fortaleza, eu desisto. Estou cansado e a moto já furou duas vezes “os sapatos”. Melhor começar a retornar enquanto a coisa ta de bom tamanho.

Retorno e durmo em Mossoró. Não me arrependo (agora).

Dia 20-Domingo

Acordo tarde e toco sem parar até João Pessoa, distante cerca de 450 Km. Nem olho para os lados, he he he he he, só presto atenção nas imperfeições da pista para não ter mais surpresas.

Na chegada não vou me encontrar com o Reinaldo, procuro uma pousada na beira da estrada e depois vou até uma oficina de motos para dar uma olhada melhor na bichinha.

Dia 21-Segunda-feira

Saio de João Pessoa as 10:00hs direto para Aracajú.

Neste dia não almocei e passei por Recife fazendo pequenos lanches a beira da estrada. Tomei até chimarrão com camioneiros gaúchos.

Estou chegando a Aracajú e anoitece rápido. Abasteço e fecho o punho. A estrada é movimentada e perigosa. Um automóvel em sentido contrário, ao ultrapassar um caminhão, não me dá bola e tira-me da estrada, fazendo eu sacudir a 100 km/h num acostamento irregular.

Chego a Aracajú e vou direto ao Hotel Beira Mar procurar o André, aquele da XL vermelha. Apesar de havermos combinado que ele retornaria a Porto Alegre comigo, o gerente me informou que o sujeito já havia partido para Salvador.

Fui acampar no CCB (Camping Clube do Brasil) e as 9:00 hs já estava dormindo exausto.


Dia 22-Terça-feira

Aproveito para lavar algumas peças de roupa e saio do camping com destino a São Cristovão, a 4ª cidade mais antiga do Brasil e a 1ª capital do Sergipe.

A cidade possui um belo conjunto arquitetônico e visito alguns prédios (Igreja da Misericórdia, Igreja e Convento de São Francisco, etc.)

Parto rápido, pois a gasolina não é suficiente para chegar a Salvador. Após rodar 160 km com muito sol, chego a Esplanada procurando combustível. Ao conversar com um motociclista consigo gasolina numa auto-escola a preço maior.

Toco rápido para Salvador, mas erro a estrada (BR-101) o que me deixa mais tenso e cansado.

Ao chegar à Capital procuro o bairro Brotas, mas não encontro o acesso apesar das informações. A dificuldade finda após hora e meia de busca. Estou cansado, suado, sujo e com vontade de urinar.

Bato na porta da casa de Antonio Pedro, mas ninguém responde. Aguardo cerca de 2:30 hs até que o casal aparece.

Banho demorado, roupas limpas, bom papo e cervejinhas...

É noite quando saímos para jantar. O Restaurante chama-se Panela de Barro. A comida especialíssima: moqueca de siri-mole, moqueca de ostras e vatapá. Comida forte e apimentada-“deliciosa”.

O cansaço bateu e fomos para casa nanar...

Dia 23-Quarta-feira

Pela manhã saímos para visitar pontos turísticos: Pelourinho, Praça da Sé, Igreja e Convento de São Francisco de Assis com sua capela dourada, Praça Castro Alves, Teatro Castro Alves, Elevador Lacerda, Cidade Baixa, Campo Grande, Praça Tomé de Souza, Igreja e Convento N. Sra. Da Piedade e Igreja Santo Antonio da Barra. Compro Umbu (fruta nativa) e retornamos para almoçar em casa (comida de reis).

Na conferencia da motoca percebo que o suporte que firma o pára-lama traseiro e o bagageiro, está quebrado. Talvez pela trepidação e o peso da bagagem.

Dia 24-Quinta-feira

Pela manhã me despeço dos maravilhosos baianos e atravesso para Itaparica via ferry-boat.

Chove bastante. Não possuo roupa impermeável, só minha jaqueta de couro e uma calça jeans, o ânimo também vai ficando molhado...

Ao meio dia almoço um “espeto corrido” farto, enquanto espero uma trégua da chuva.

Atinjo Itabuna por volta das 16:00 hs e vou trocar o óleo da XL com direito a uma boa lavagem geral.

Hora e meia depois sigo para Ilhéus em busca de um camping. A cidade tem uma belíssima paisagem. Entro no Camping Gabriela e após uma ducha, começo a escrever. Estou com saudades de casa.

À noite reúno-me com uma roda de violão coroada com cervejas e cachaça, eita mundão.

Dia 25-Sexta-feira

Choveu intensamente a noite toda. Pela manhã, ao sair da barraca, vi minha moto deitada pelo excesso do aguaceiro. Levantei-a com dificuldade (estava acorrentada a uma árvore) e fui tomar um banho de mar (porque não sou de ferro)

Saí do camping e comecei a fotografar pela cidade.

Na estrada para Itabuna, ao passar por um posto da polícia rodoviária estadual, sou barrado e vistoriado. Ao verem que eu possuía uma arma, mesmo que com habilitação e documentação em dia, queriam retê-la. Argumentei o que pude, mas percebi que queriam dinheiro. Com surpresa senti que pela primeira vez estava sendo roubado: e pela polícia...

Abriram minha carteira e tiraram todo o meu dinheiro e a munição do revólver, ordenando que eu fosse embora sem comentar o fato ocorrido.

Rumei para fora da Bahia.

As 19:00 hs cheguei a São Mateus e me hospedei no Grande Hotel São Mateus.

Dia 2-Sábado

Saindo do hotel fui conhecer e fotografar a igreja dos jesuítas. A chuva não dava trégua.Toquei para Vitória, chegando por volta das 9:30 hs e parando na Universidade para ver se localizava a colega Lygia. Maravilha. Ela estava trabalhando na área do Patrimônio Histórico dentro da UFES. Marcamos um encontro para almoçar as 13:30 hs.

Saboreamos uma moqueca capixaba de ostras e fomos visitar a cidade.

À noite tomamos uma cervejada no Bar do Argentino e depois fomos dormir em seu apartamento (a Lygia é uma carioca da gema que está se adaptando em Vitória).

Dia 3-Domingo

Dia de sol, muito quente. Fomos à praia, mas não tomei banho.

Resolvemos fazer um almoço em sua casa. Passamos no mercado e compramos os ingredientes. Fizemos beringelas ao com molho e mozarela, no forno. Para completar um peixe assado (vermelho).À tarde lavei roupas e fui comprar uma viseira para o capacete, lâmpada para um pisca-pisca, um espelho retrovisor que havia quebrado, além de um giro pelo centro da cidade.Resolvi mandar notícias para casa e me informaram que eu deveria retornar porque estavam me chamando para assumir um cargo de chefia na Secretaria da saúde do RS.À noite liguei para o aeroporto, mas não havia mais vôos para Porto Alegre, resolvi que na manhã seguinte seguiria par o Rio de Janeiro e de lá para casa, de avião.

Dia 4- Segunda-feira

Toquei direto para o Rio até o Aeroporto do Galeão para comprar passagem e despachar a moto. Foi tudo muito tranqüilo, apesar da burocracia e cuidados com a bichinha.Tive que esperar por três horas, andando pra lá e para cá com minha bagagem “fedentosa”.Depois dos muitos dias de chuva, os solados de minhas botas haviam descolado: era um schlep, schelep pelo grande corredor do aeroporto que todos olhavam.

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