segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

BUENOS AIRES E URUGUAI - 10/2009


Estava um dia olhando experiencias em viagens de moto na internet e, girando prá lá, girando prá cá, topei com um recado no site motoscustom.com.br convidando para uma viagem a Buenos Aires. Respondi de imediato que toparia a empreitada.
Era um companheiro de São Paulo com uma Shadow 750, seu nome: João Aleixo.
Vários contatos por correio eletrônico e formaríamos um trio, com o acesso de uma Drag Star, também de Sampa e pilotada pelo Pedrão.
Traçado o roteiro pelo João, combinamos de nos encontrar na cidade de Vacaria, RS, no Hotel Pampa.

11/outubro/2009-Domingo
Saí de São José as 11:30 hs após um almoço rápido (risoto de funghi) para que o meu estômago não ficasse balançando nas curvas.
Estava frio e com um chuvisco chato na subida da serra pela br-282 até Rancho Queimado. A partir daí sol e frio até Lages. Viagem tranquila sem tráfego na estrada.
Chegada em Vacaria por volta das 16:00 hs e encontro no Hotel Pampa com o João Aleixo de Barueri-SP e o Pedro de São José dos Campos-SP.
Após as apresentações rodamos a cidade para jantar, mas só achamos um quiosque onde comemos um baurú empurrado por uma taça de vinho( eu heim¡) suficientes para rolar um papo descontraído e buscar afinidades e em seguida fugindo rápido para o hotel levados por uma chuva forte que duraria a noite toda.

12/outubro/2009-Segunda
Café da manhã muito bom.
Na estrada o relógio marca 6:30 hs, chuva contínua mas a estrada está vazia.
Chegamos rápido na região de Caxias do Sul, com paradas para sacar belas fotos da velha estrada (br-116).
Em Farroupilha fizemos um pequeno lanche, secamos as botas (eu é claro, não quis colocar as polainas impermeáveis) e baixamos para Porto Alegre sendo recebidos por um sol escaldante que nos acompanharia até Jaguarão(divisa com o Uruguai) onde chegamos ao entardecer.
O jantar foi no lado Uruguaio: parrillada no Restaurante do Diego. Entrecot, rim e costela grelhados acompanhados por duas Patrícias (uebaaaa) rica cerveja oriental.
A cama foi no lado brasileiro num hotel bem simples mas de ótimo preço (Hotel Rios)

13/outubro/2009-terça
Como de costume, acordamos cêdo e fomos dar um trato nas motocicletas, fazer o câmbio de moedas e tocar para os trâmites na Aduana.
Pela Ruta 8 passamos por Treinta y Tres em boa rodovia que deixa as estradas brasileiras com vergonha.
Pela ruta nenhuma viva alma, campos de trigo, arroz, gado muito gado e emas. As estradas Uruguaia são assim, meio que perdidas no tempo, vazias.
Almoçamos num paradouro a beira da estrada. João Aleixo e Pedrão tiveram que enfrentar outra parrillada, bonita de ver, mas já ficando pesada para os paulistas que não são acostumados a um festival de carnes.
Chegamos em Montevideo as 17:0hs com um acontecimento que não pode passar em branco: Ao pedirmos informação a dois policiais de motocicletas sobre como chegar na calle Ramblas fomos surpreendidos pela ação deles. Foram nossos batedores até o local, abrindo espaços através do transito pesado e por vezes entrando em ruelas proibidas ao tráfego motorizado. Parecia uma cena roliudiana.....
A noite, uma bela caminhada pela famosa avenida beira-mar.

14/outubro/2009-quarta
Chuvinha miúda pela manhã, pegamos um taxi e fomos visitar o Estádio Centenário, era véspera do jogo Uruguai x Argentina e uma multidão fanática começava a se formar no entorno. Como não pudemos entrar para conhecer o gramado do belo prédio, tomamos outro taxi e fomos conhecer a Assembléia Legislativa, prédio neoclássico belíssimo com um primoroso trabalho em mármores e granitos nacinais e estrangeiros.
A minha surprêsa foi que já havia estado naquele predio quando tinha uns treze anos e viajei a Montevideo com minha mãe, irmã e sobrinha....
Enquanto a guia discursava sobre as qualidades e estórias do edifício, eu sonhava......tentando lembrar da primeira vez.....
Saímos caminhando por alamedas e belas avenidas margeadas por arquitetura de uma época em que o Uruguai era chamado de "a Suiça da America do Sul".
Passamos pelo monumento ao General Artigas, cruzamos o que sobrou da velha muralha dos tempos de colonia e chegamos no Mercado del Puerto, antigo mercado municipal e hoje templo maior das parilladas, verdadeiro centro de prazer por grelhados e bons "tragos".
Retornamos caminhando até optar por entrar em um local com telões, meninada ruidosa, cervejas e vinhos, para assistir ao clássico platino: Uruguai e Argentina.
De volta para o Hotel Íbis, compramos uma garrafa de um "tannat" para bebermos "mui despacio", dormir e sonhar para que a chuva pare de nos molestar.

15/outubro/2009-quinta
Depois do fraco café da manhã, esquentamos os motores e partimos para Colonia del Sacramento num frio terrível fazendo companhia e obrigando a constantes paradas para quem não é muito acostumado a um "minuano" gelado hehhehehehe. Foi necessáro emprestar minha balaclava para o Pedrão que estava começando a "encarangar"
Ao chegar em Colonia, dentro do estacionamento do porto onde deveríamos tomar o Buquebus que faz a travessia para Buenos Aires enfrentamos uma fila enorme de turistas com o mesmo objetivo. Os tramites de alfandega tomaram quase duas horas de nosso precioso tempo, com corre-corre prá lá e prá cá.
Após a travessia, saímos do Puerto Madero e após consultar policiais, motoristas de taxi e cidadãos argentinos, chegamos ao nosso hotel em San Telmo sem maiores dificuldades, graças ao prestativo povo porteño.
A simpática gerente do hotel boutique, nos indicou um restaurante basco, nas proximidades do bairro.
Meu são coisinha: que jantar dos deuses...Uma frigideira de frutos do mar, um badejo ao molho colombiano e um "torrontes" super gelado. Pode? - Podeeeee.....

16/outubro/2009-sexta
Após o café simples (não estamos no Brasil), dispensamos as motos e saímos caminhando de um lado a outro até o centro da capital: Estádio do Boca Juniors, bairro La Boca, Caminito, Casa Rosada, Praça de Mayo, Puerto Madero, Calle Florida, Galeria Pacífico, Café Tortoni, lanhouse para colocar a família a par dos acontecimentos, lanches, comprinhas..........
Ao meio da tarde, novo taxi, conversa sobre futebol: ¿Quen és mejor, Maradona o Pelé?. ......Quem é Maradona? perguntamos. Pegamos êle......
Palermo é um lugar único. Residencial, inúmeros restaurantes, praçinhas, feiras e gente transada.
Caminhando, olhando......Derrepente os dois amigos de sampa arregalaram os olhos ao passarem por uma vitrine com carnes de animais inteiros sendo assados em pé. Pois acho melhor entrar aqui, falei.
Sentamos no meio da sala e pedimos uma magnífica especialidade da casa: Cordero Patagonico (de novo aquele santo baixou), E para acompanhar?......... Malbec.
Rumo ao hotel, tres portas antes, um pub. Não um pub normal, mas um pub irlandês. Administrado pelo dono, um irlandês que não sabe ainda falar espanhol, mas sabe beber...e como bebe. Ficamos umas duas horas lá dentro apreciando aquela fumaça com muito rock e os vários tipos de cervejas que jorravam geladas das torneiras.....
Vamos lá meninos, amanhã temos que atravessar a bacia do Prata.........

17/outubro/2009-sábado
Ao sair do hotel cedinho, fomos pegar nossas motos que estavam na garagem terceirazada.
Confusão geral: queriam nos cobrar um preço abusivo pelas duas diárias, cujo valor já havia sido acordado com a gerente do hotel. Bate boca, retorno ao hotel, telefonemas, saímos com a garantia de que a gerente pagaria a diferença.
Rumo a Puerto Madero, tramitação demorada para o Buquebus com uma multidão de argentinos e turistas buscando embarque.
Chegamos por volta das 13:oo hs em Colonia partindo em busca de algum hotel com garagem.
Colonia del Sacramento é uma cidade histórica que lembra muito as cidades coloniais brasileiras, graças a sua forte influencia portuguesa.
Possui uma posição geográfica privilegiada sobre o rio do Prata, que afora seu casario multicolor e ruelas de calçamento irregular, apresenta um por-do-sol imbatível. Seus bares e restaurantes, com mesinhas ao ar livre convidam para um batepapo "despacito" bebericando bons vinhos e cervejas.
Passeamos por suas ruínas e fomos comer um "chivito" .

18/outubro/2009-domingo
Pedro e João partiram cedo com a idéia de retornar pelo litoral até Chuí, passando por Punta del Este e de lá tocarem para São Paulo. Curta mas agradável companhia que certamente promete novos passeios juntos.
Como pretendia permanecer mais um ou dois dias na cidade, retornei ao apartamento para descansar mais um pouco.
Por volta das nove horas resolvi passear a pé pela cidade, fotografando e avaliando alguns hotéis e albergues. Ao retornar, arrumei meus bagulhos e troquei de hotel.
Como estava um dia quente, resolví sair de moto para conhecer o entorno: Real de San Carlos, Ramblas, um banho no Rio da Prata, giro por belos condomínios e algumas compras no Shopping Center (vinho, queijo embutidos e pão) seguindo para um descanso no novo hotel.
Pensando com meus botões decidi ir embora no dia seguinte, fazendo uma rota diferente: rodar margeando o Rio Uruguai até a cidade de Salto.

19/outubro/2009-segunda
Amanheceu um dia ensolarado, após "el desayuno" ajeitei meu alforges e procurei a saída para Carmelo. Eram 10:30 hs.
Em Carmelo, uma bela e pacata cidade, achei uma boa loja de motos (moto part's do Francisco Sartori) onde trocaram as velas da moto, ajustaram e lubrificaram a corrente . Além de um bom papo no melhor portunhol possível, o Francisco me recomendou seguir para Nueva Palmira e visitar Punta Gorda, um magnífico promontório sobre onde inicia(ou finda) o Rio Uruguai, formando a bacia do Prata. Ótimo local para boas pescarias, mas sem nenhum bolicho para saborear um peixe.
Em Nueva Palmira havia uma festa popular no centro local onde numa barraca comi uma milanesa com pão e vinho seguindo depois de um descanso para Dolores também a beira do Rio Uruguai.
O Rio Negro é belo e piscoso, atravessei a ponte e fui direto para Mercedes.
Sem parar cheguei em Fray Bentos. Após circular um pouco pela cidade, encontrei um hotelzinho muito do sem vergonha (Hotel da Tia) que nem garagem possuía, somente uma tábua por onde as motos podem subir da calçada para um corredor lateral onde podem ficar abrigadas. Enfim......
Depois de acomodar-me, tomar uma ducha fresca, saí caminhando em busca do que comer.

Apesar do belo por de sol sobre o Rio Uruguai não encontrei novamente naaaaada de peixe para comer. A cidade possui uma rambla belíssima que sai serpenteando o rio Uruguai promovendo a caminhada de um grande número de uruguaios ao final da tarde.
Acabei num restaurante ruim e pedi uma lazanha e um vinho da casa. Aos diabos.....


20/outubro/2009 - terça
A saída de Fray Bentos por volta de 9,00 hs foi sem café da manhã rumo a Paysandú, uma cidade a beira rio com transito bem complicado. Era meio dia e parei num restaurante com cobertura de palha santa-fé.
Almoço honesto, bem feito: Um prato de raviólis com estufado de carnes. Depois de almoçar e subir na moto para partir, o cozinheiro e proprietário veio correndo com uma maquina fotográfica para que a filha sacasse uma foto dele em cima da moto. Claro que sim, falei.. Aquele homem pesado e já bem maduro, abriu um sorrisão de menino quando ganha seu presente preferido no natal.
Segui rumo à cidade de Salto com parada para abastecer e visitar as Termas de Guaviyú junto a Ruta 3. Local aprazível, popular, com excelente infra-estrutura para atender a famílias em férias.
As 15:00 hs, cheguei em Salto e como era cedo ainda, fui até a ponte internacional que dá acesso a Concórdia na Argentina e passear pelas belas margens do lago formado pela reprêsa no Rio Uruguai.
Retornando, encontrei rápido um hotel e fui tomar banho.
Passeio pela cidade. Pelas mesas nas calçadas, uma Patrícia aqui. Uma Norteña alí. Mais adiante uma Pilsen.
O jantar foi no restaurante "La Firence" onde traçei uma pizza firence com a dona Patrícia.

21/outubro/2009 - quinta
Saindo do hotel pela manhã e já conhecendo a dificuldade de encontrar postos de gasolina pela estrada em direção a Rivera, abastecí e enchí mais uma garrafa pet de 2 litros para levar amarrada.
Pé na estrada, errei o caminho e o pior: ao cruzar os trilhos de uma estrada de ferro, a garrafa pet escapuliu e plaft no chão......
Retornei ao posto de combustível, outra garrafa, desta vez melhor amarrada porque retirei o impermeável da bagagem e o vesti, liberando espaço para a pet. E sob uma chuvinha chata toquei para Tacuarembó pela ruta 31, uma estrada isolada e com muitos buracos no asfalto. Além disso a chuva apertando.
Ao meio dia cheguei gelado em Tacuarembó. Parei no primeiro comedouro que encontrei e limpei o prato: matambre recheado, arroz e salada de tomates acrescidos de uma taça de Yrurtia.
A chuva parou.
As 15:00 hs cheguei em Rivera com um tempo abafado. Aduana, hotel, passeio, supermercado (queijo, galletas e um Don Pascual tannat) para lanchar usando só bermuda e havaianas...eita trem bão como dizem os mineiros.

22/outubro/2009 - sexta
Pela manhã caminhada pela Sarandí na tentativa de encontrar algum presente para levar pra casa entre as multi-ofertas dos free-shoppings de Rivera.
Pé na estrada para Porto Alegre.

23/outubro/2009 - sábado
Chegada em São José.

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