
Este novo sonho começou em
novembro de 2009
apos o retorno de um passeio de moto pela Argentina, com dois companheiros de São Paulo: O João e o Pedro.
Olhando pela
internet, fiquei maravilhado com as fotos do Glaciar Perito Moreno em
El Calafate no sul da Argentina e
coçei minha cabeça, tomando o cuidado para não arrancar os poucos fios de cabelo que ainda me restam no topo.
Não pensei duas vezes: vou lá antes que me levem desta vida.
Coloquei um anúncio no site
www.mochileiros.com procurando companheiros que poderiam fazer o percurso de moto ou pelo menos parte dele. Começaram a surgir interessados e ajudas.
A roteiro está alinhavado mas o destino seria avançado até
Ushuaia, porque um parceiro do
RJ, o
Emerson, queria ir até lá com a sua
Yamaha XT660.
Neste momento agregou-se mais um motociclista: o Fernando de
SP com sua Tornado 250.
Correria para manutenção da
Nêga,"Com que roupa eu vou, com que roupa...", mapas,
documentação, leituras e mais leituras sobre viagens para lá, onde abastecer no caminho, pontos interessantes para visitar,...........
Data marcada para a saída de São
José,
SC: dia 28 de
fevereiro, rumo a Rivera no Uruguai para troca dos pneus
heheheheheheheehe, lá sai
muiiito mais em conta, e aguardar pelos parceiros.
28/fevereiro/2010-DomingoAs 5:00 levantei-me, tomei uma
ducha e
começei a arrumar o que faltava, porque na noite anterior já havia preparado os alforges e a barraca com seus complementos: colchão
inflável, saco-de-dormir. Aliás, não consegui dormir a noite, tamanha era a ansiedade e angústia para sair e já estava neste estado faziam dois dias.
Comí uma fruta e um pote de cereais com iogurte e saí de casa ao raiar do dia.
Pela
Br-282 em Santo Amaro, começou uma chuvinha miúda que me acompanharia até próximo de
Lages, quando o sol saiu entre nuvens mas a manhã ainda estava fria. A estrada vazia permitia uma pilotagem tranquila com ritmo constante, paradas somente para abastecer (a
Nêga Blue tem um tanque para 11,0 litros de gasolina).
Seguindo meu roteiro entrei em Vacaria no
RS e rumei para Passo Fundo numa rodovia com má sinalização, resultado: me desorientei para entrar na estrada que leva a Cruz Alta. Ao consultar o
frentista de um posto de gasolina, o sujeito me avisou de uma mancha de óleo que pingava sob a moto, abaixei-me e vi que era o líquido de arrefecimento que gotejou, pensei: deve ser porque andei rodando em baixa velocidade para procurar a rota e o dia já estava bem quente, toquei em frente.
Ao abastecer a moto em Cruz Alta vi que jorrava forte o líquido de arrefecimento e fiquei preocupado, será que a água não está circulando? Mesmo assim seguiria até Santa Maria onde pretendia dormir.
Abastecí a
magrela e perguntei sobre uma oficina de motos. Pelo telefone não consegui entrar em
contato, mas como era próximo do hotel onde descansaria, resolveria a coisa depois.
1º/março/201-Segunda-feiraPela manhã entrei na oficina do
Luis Giacomini que apesar de serem 7,30
hs o mesmo já estava trabalhando. Olhou e disse: "não te preocupa
guri, é normal, o teu mecânico colocou líquido refrigerante além do nível e aos poucos
êle vai sendo cuspido até normalizar. Tá tudo correto eu também faria o mesmo".
Putz, e eu assustado.
Toquei estrada chegando ao final da manhã em Santana do Livramento hospedando-me no Hotel dos Viajantes, simples,
econômico e tranquilo.
Atravessei para Rivera no Uruguai e fui fazer a troca dos pneus:
Toimmmmm, era feriado por causa da posse do novo Presidente da República.
Passei num
supermercado comprei vinho, pão, queijo e presunto e me sentei no
páteo interno do hotel para lanchar, escrever meu diário e lavar algumas peças de roupas suadas. A noite liguei para o Fernando perguntando onde estavam e qual a previsão da chegada
dêles: "amanhã por volta das 19,00
hs", eu os esperaria na praça
Artigas. No hotel
batí um papo com um motociclista veterano: O "
kojak"e sua filha, ambos já estiveram em
Ushuaia.
02/março/2010-terça-feiraAcordei tarde e segui para a revenda de pneus
Pirelli LARRATEA NEUMATICOS LTDA onde depois de 3,00
hs saí com a
magrela de sapatos novos e comprados a bom (excelente)
prêço.
Com a tarde livre c
omeçei a perambular pelas lojas dos produtos importados olhando as novidades sem é claro vez ou outra deixar de beber uma Patrícia aqui, uma
Norteña ali para espantar o calor que era demasiado forte. Aproveitei também para resolver a tramitação de entrada no Uruguai.
Ao final da tarde estacionei a moto na
Av.
Sarandi próximo a praça programada e aguardei a dupla dinâmica que já dever

ia estar chegando. Neste momento ao verem a placa de
Sao José, um casal de
Florianópolis (www.traikfloripa.com) que estava num encontro de triciclos veio
papear comigo e junto com o "
Quasimodo" convidaram-me para um churrasco no bairro Planalto em Santana do Livramento, mas meu compromisso era com os dois desconhecidos.
No horário combinado as duas motos apareceram e nos apresentamos, seguindo para adiantar a
Aduana e guardar as máquinas no hotel.
A noite saímos para umas cervejas,
panchos(cachorro quente do Uruguai) e bom papo sobre as expectativas da viagem.
03/março/2010-quarta-feiraPela manhã após o café e algumas fotos, atravessamos a fronteira e rumamos para
Tacuarembó por boa
estrad
a. Ao entrar na cidade tivemos alguma dificuldade para achar a saída rumo a
Paysandú porque o
GPS do Fernando estava com um mapa não muito confiável além de enfrentar um sol que castigava nossas roupas de
cordura.
Eita material escaldante que só ameniza com a velocidade.......O capacete estava molhado de suor.
Em
Paysandú, antes de atravessar a ponte sobre o Rio Uruguai enfrentamos uma demorada fila para a burocracia da
aduana.
Acreditem: O
Emerson mostrou a "sua" Carta Verde e passou tranquilo... Astuto este carioca da gema....
Entramos na famigerada
ruta 14, paramos para abastecer e almoçar e rumamos para

o sul cuidando e esperando o ataque da polícia
caminera. Passamos tranquilo e na
tardinha atingimos nosso
objetivo: pernoitar em
Zarate.
Foi um sufoco....Perguntas sobre hotéis disponíveis e
nadaaaaa...Rodamos todo o centro da cidade e entramos em vários hotéis: tudo lotado. Ao
descançar em uma praça da cidade junto a uma parada de
ônibus, um casal veio admirar as motos e nos indicou um hotel simples que por certo haveria disponibilidade (Hotel
Panambí).
Estava acontecendo na região, uma feira
internacional de agro-indústria, foi o fato de não haver hospedagem disponível. A acomodação foi sofrível, mas era o que havia, barato mas sem café da manhã .
04/março/2010-Quinta-feiraSaímos de
Zar
ate e entramos em
autopistas mantendo uma velocidade de 90 km/h de modo que as
tres motocicletas andassem juntas, havendo revezamentos na liderança. Era necessário estar atento às sinalizações. Por um momento erramos o caminho, mas saímos logo para uma via lateral e entramos num posto de combustível
YPF.
Acabávamos de passar pela saída para
Cañuelas que era nossa rota determinada. Retomamos a estrada e buscamos um local para tomarmos o
cafe-da-manhã tardio.
A paisagem começa a ficar monótona, com longas
retas planas e um perfeito asfalto.
Entramos na
Ruta 3 e seguimos sem parar, passando por Las Flores e Azul onde almoçamos.
Nossa próxima parada foi em
Tres Arroyos onde buscamos um hotel a beira da rodovia.
Ficamos no Casino Hotel, muito bem instalados para recuperar a noite anterior. Mais tarde entramos na cidade para jantar e molhar a garganta.
05/março/2010-Sexta-feiraO café saiu tarde porque faltou luz na cidade (a Argentina sofre com inúmeros problemas). Saímos com as motos já abastecidas, cruzamos pelo
pedágio (na Argentina as motos não pagam) e tocamos pela nossa
lin
ha reta com o mesmo calor implacável. Ao pararmos para abastecer surgiram dois motociclistas brasileiros de São Paulo que fariam uma rota diferente: De
Puerto Madrym subiriam para o Chile, O Michail e o Wilson, mas nos encontraríamos mais tarde.
Entramos em
Bahia Blanca, uma bela e organizada cidade a beira mar, para que o
Emerson trocasse um pouco de seus dólares.
Almoçamos num
YPF e rumamos para
Viedma.
Cruzamos o Rio Negro que
margeia a cidade e fomos nos acomodar num hotel indicado pela polícia
caminera. Era simples mas tinha garagem para as motos e ficava perto da rodovia e do centro da cidade.
Saí para encontrar uma
lanhouse, conhecer a cidade e passear pela
Costaneira. Na praça central haviam diversos restaurantes e bares abertos. Entrei num "
Tenedor Libre" e comi até ficar triste. Quando entrei no apartamento levei um susto: "Isso parece um pagode sobre uma
lage na periferia" , disse. O Fernando havia estendido um varal e suas roupas estavam penduradas para secar....
Combinamos que na manhã seguinte o
Emersom com a sua
XT deveria seguir na frente imprimindo uma velocidade maior com a sua
magrela, para
experiementar os
retões. Também conversamos que deveríamos ser mais rápidos nas saídas dos
hotés pois acordávamos
cêdo e ficávamos enrolando para sair.
06/março/2010-sábadoSaímos cedo de
Viedma e rumamos para a Península
Valdes, passando rápido por San
Antonio Oeste . O vento lateral começou a entrar....
Os postos de combustíveis começam a rarear e tem

os que abastecer a cada oportunidade.
Paramos em Las Grutas, um balneário muito frequentado, com falésias formando grutas e uma praia bem extensa. Neste local reencontramos o
Michail e o Wilson, de
Sampa.
Na Península entramos na Reserva Nacional e fomos para
Puerto Piramides, um
luga
r
espetacular onde observa-se em épocas definidas, elefantes-marinhos, baleias orcas, leões-marinhos entre outros animais.
Havia no local um encontro de motos e permanecemos bom tempo curtindo com os motociclistas argentinos. A coisa é parecida

com o que acontece no Brasil, muito rock, diversão, cerveja e motos
personalizadas.
Fizemos algumas amizades, provamos cervejas artesanais e resolvemos cair fora para dormir em
Puerto Madryn.
Buscamos um hotel, mas acabamos num
hostel: o
Anochecer Hostel. O responsável pelo local
preparou umas pizzas para acompanhar as cervejas
Quilmes.
07/março/2010-Domingo
Saímos do
Hostel e tocamos para
Trelew por uma
ruta 3 vazia e com tempo ensolarado. O
objetivo era visitar o Museu
Palenteológico Egidio Feruglio com seus magníficos fósseis de dinossauros, incluindo um que poderia ser encontrado no Brasil.

Saindo do museu, o
Emerson sugeriu uma parada em
Punta Tombo distante 100 km, para visitar a
pinguineira, uma espécie de sociedade dos Pinguins de Magalhães com milhares dessas aves vivendo num local protegido.
No momento da visita caiu uma chuva pesada e saímos por volta das 17,00
hs por uma estrada de
rípio encharcado que por algumas vezes provocou alguns sustos no piloto da
Shadow(eu é claro).
A
tardinha já se aproximava e estávamos longe de qualquer vilarejo para pernoitar. De coisa viva só
guanacos e cordeiros, mais nada...Nem uma árvore.... Paramos em
Garayalde num posto de gasolina
semi-abandonado e armamos nossas barracas junto a uma cerca. Não é seguro viajar a noite de moto. Neste momento apareceu um argentino com a sua Tornado, todo sujo de graxa: a corrente estourou e
êle teve que improvisar. Iria acampar um pouco mais adiante. Por volta das 22,00
hs o posto abriu e pudemos lanchar e jogar numa mesa de
sinuca com todo o tipo de defeito. O local era ponto de parada de
ônibus que percorrem a região. O vento batia forte, fiquei acordado e apreensivo até tarde.
08/março/2010-Segunda-feira
Acordamos por volta das 5,00
hs e começamos a arrumar as barracas com dificuldade por causa do vento que não queria parar.
Alcançamos
Comodoro Rivadavia por volta das 15,00
hs e fomos almoçar no
El Argentino onde comemos uma boa
parrillada mas sem o petisco que eu procurava: um cordeiro
patagônico.
Tocamos para
Caleta Olívia onde pretendíamos pernoitar.
Ao pararmos junto a uma placa da rodovia para tirar uma fotografia,
ví que havia perdido o meu galão extra com 5,0 litros de combustível que trazia afixado na moto.
Na cidade ficamos no Robert, único hotel que possuía garagem para as motos.

À noite fomos a um
cyber e a um caixa
automática para sacar moeda local, depois entramos em um bar para
cervejar e encontramos o argentino que estava em
Puerto Piramides e em
Garayalde acampado perto de nós. Foi o bar mais caro da Argentina, um roubo o preço cobrado pelas cervejas, o dono era um cara que havia morado 7 anos em Balneário
Camboriú.
Saímos
putos e fomos dormir.
09/março/2010-Terça-feira
Partimos ao amanhecer e fomos tomar café e abastecer num
YPF. Estava frio e o vento lateral fazia com que as motos andassem inclinadas nas longas
retas, mas já
estávamo acostumados e até que era bom, pois não deixaria os pneus tão "quadrados". Pela estrada muitos
guanacos e
emas. A região é a que possui muitos poços petrolíferos
rasos, com aqueles "
martelões" retirando o óleo.
Em
Fitz Roy abastecemos e tocamos rápido para
Tres Cerros, única alteração na paisagem plana e seca:
tres morros baixos e alongados.
Neste trecho eu era o último piloto e ao passar por obras para contenção das águas de um riacho que estavam cobrindo parte da rodovia, tive que aguardar a movimentação de uma
retro-
escavadeira. Havia um
mercadinho na paisagem isolada e fui beber uma água mineral. A dona, uma senhora de 35 anos, com formação na área de informática reclamava dos últimos governos da Argentina, que esqueceram do resto do país. Não haviam oportunidades de trabalho e nem perspectivas num futuro próximo (
houví em vários lugares, comentários semelhantes).
Com a
liberação da pista, me
despedí e toquei forte, encontrando o companheiros num posto de gasolina na entrada de
Puerto San
Julián.
Conseguí outro galão de 5,0 litros para combustível de emergência mas a gasolina era a "
fangio" e eu entrei na cidade em busca da "super" ou da comum, melhor para a minha moto carburada.

Numa bela paisagem em declive, com boas curvas, avistamos a cidade de Comandante
Luis Piedra Buena a beira do Rio Santa Cruz, com suas águas azuis
limpíssimas. Paramos para abastecer. Em continuação, eu e o
Emerson paramos no Hotel
Le Marchand para conhecer e colocar mais combustível, mas as duas bombas estavam secas.

Usei a minha reserva técnica e tocamos rápidos para nosso destino acordado.
No cruzamento da rodovia que vai para El Calafate ou Rio Gallegos, encontramos o Fernando nos esperando. Parei e tirei uma foto junto a placa.
Depois de levarmos um pito dêle, seguimos para pernoitar em Rio Gallegos. Entramos na cidade e após abastecer as máquinas, entramos no primeiro hotel que tinha garagem. Rodamos cerca de 700 km neste dia.
10/março/2010-Quarta-feiraSaímos tarde do hotel e rumamos para a fronteira com o Chile com um vento lateral de 40 km/h. Ao chegar na aduana, quando tirei o capacete para apresentar os documentos, a viseira e a queixeira estavam soltas, havia caído um dos dois parafusos que seguram estas partes móveis, certamente pela trepidação provocada pelo vento.
Uma policial chilena dise que havia um "pueblito" cerca de 20,0 km à frente e que talves lá eu conseguisse auxílio.
Fizemos os trâmites de saída da Argentina e entrada no Chile e rumamos para Punta Delgada.
O parafuso que caiu era o do lado direito e eu com a mão esquerda segurava o conjunto para que o vento não o arrancasse. Rodei por 30 km e nada de povoado. Meu braço naquela posição estava doendo e seriam perto de 600 km até Ushuaia. Acelerei e encostei no Emerson que pilotava à minha frente e o avisei que voltaria para Rio Gallegos afim de consertá-lo. Pedí que seguissem viagem sem mim e que tão logo arumasse um parafuso eu os alcançaria. Retornei para a aduana e fiz tudo de novo ao contrário.
De volta na cidade, já passava do meio-dia e estava tudo fechado. Por sorte encontrei uma oficina de automóveis e conseguí um parafuso semelhante ao anterior e que funcionou direitinho. Neste momento um argentino que levou seu carro para consertar, desceu do veículo e veio ver minha moto.

O Juan Manuel era um apaixonado por shadow e não me deixou sair, convidou-me para almoçar em sua casa e mostrar sua moto custom 200cc além de sua coleção de roupas de couro e botas metaleiras. Com sua noiva ao lado confessou que nunca fez uma viagem, só comprava roupas e equipava a moto. Pode isso? Tentei incentivá-lo a acompanhar-me na manhã seguinte para Ushuaia, mas os dois só se olharam.
Com o adiantado da hora, resolví fazer a troca de óleo e filtro, buscar um hotel e na manhã seguinte, sair de madrugada para a fronteira.
Não encontrei o local onde dormimos mas achei o Hotel Colonial (Rivadávia com Urquiza), administrado pela dona Inês, uma senhora muito prestativa que me ajudou bastante. Fui andando até o centro da cidade para comer algo e correr para o hotel porque estava bastante frio.
11/março/2010-Quinta-feiraAcordei as 4:00 hs com o sacudir da janela e porta do dormitório. Olhei pela vidraça e as árvores balançavam ao zumbido das rajadas do vento. Puta merda.
As 7:30 hs saí pronto para pegar a moto, falei com dona Inês e ela me disse que o vento acalmaria.
Toquei para a divisa novamente. Menino!!!!!!! O vento me jogava para o outro lado da pista como se eu fosse um pedaço de papel. Estava recém amanhecendo. Parei. Pensei: E depois? no rípio com este vento lateral? Serão 150 km de pedra.....Abortei a idéia, vou primeiro para o Glaciar Perito Moreno, depois vou a Ushuaia.

Voltei e toquei direto para El Calafate até chegar ao posto da polícia caminera a 30 km de Rio Gallegos.
Meu são coisinha da babilônia..... O vento agora era frontal e me obrigava a dirigir em 3ª marcha e não conseguia superar os 40 km/h. Ao chegar no posto policial me pediram para voltar, estava perigoso subir o planalto e os caminhões vinham a favor do vento em alta velocidade, era melhor esperar e retornar mais tarde. Como seriam só 300 km para El Calafate, resolví retornar e aguardar o bicho amansar.
Voltei ao hotel e relatei o fato para a sra Inês. Ela me sugeriu ir até a Defesa Civil para saber do prognóstico do clima. Me mostraram um gráfico recém impresso: a coisa ficaria assim até domingo mas que por volta das seis horas o vento reduziria, conforme me mostrou no documento.
Aguardei num YPF comendo empanadas, bebendo café e olhando as bandeiras num mastro no outro lado da rua: estavam esticadas pela ação do vento e isso era dentro da cidade.
As 18:30 hs, com os tanques de combustível cheios, partí para a polícia caminera. Meu São Cristóvão!!!!!! O bicho tava pegando duro. Tá certo que já havia lido sobre o danado e o China me comentou sobre êle, mas o que tá acontecendo? A moto não anda....Abortei. O vento não parava. Voltei para o hotel e a dona me sugeriu: porque você não vai de avião ou de ônibus? Muita gente faz isso.
Porque não? Fui até a rodoviária me informar.
Na manhã seguinte, por volta das 8:00 hs partem para El Calafate ou Ushuaia: 4,00 horas de viagem ou 12, 00 hs respectivamente. Comprei para El Calafate e fui para o hotel dormir.
12/março/2010-Sexta-feiraNa manhã seguinte tomei um táxi e fui para a rodoviária. Ao chegar lá, olhei para as bandeiras que estavam ontem esticadas e agora estavam caídas, balançando, pode?????? Quer saber? Peguei um táxi e voltei ao hotel, peguei minha moto e me joguei pro asfalto.

Foram cinco horas tensas, com algumas rajadas e muito frio (acho que eu é que estava tremendo). Boa paisagem e muita tensão. Cheguei com o corpo doído e fui buscar informações.
Achei um "cama e café" sem café mas muito tranquilo e que me deu segurança. El Calafate é simpática, com turistas do mundo inteiro, principalmente franceses. Os restaurantes estavam fechados (hora da siesta, acho), tomei duas cervejas num "café". Fui a um supermercado comprar o lanche do dia seguinte: pão, queijo, presunto crú e vinho (duas botellas pra garantir). Fui para minha hospedagem preparar o lanche do outro dia e descansar.
13/março/2010-SábadoAcordei as 6:30 hs comí o que tinha e batí na portaria avisando que voltaria para o dormitório ao final da tarde.

Na rodoviária comprei um bilhete para a van que levaria até o parque onde se encontra o Glaciar Perito Moreno, meu objetivo da viagem. Duas horas depois estava na mais espetacular visão que eu já presenciara da natureza.
É indescritível, grandioso, ruidoso e magnífico. Com matizes de estontear. É uma parede de gêlo com 80,0 metros de altura e 5,0 km de largura. É um rio congelado que desce lentamente dos Andes.
Fazia frio, havia sol e chuviscava......Um vento agradável.....
Gente do mundo inteiro de boca aberta, num "oooooohhhh" de se entender... Aliá

s na Argentina e no Chile, em qualquer local existem turistas de todas as nacionalidades, porque não é assim no Brasil?????
Filmei, fotografei e observei calmamente. Ví cair lascas de gêlo que provocavam estrondos e ondas no lago. Foram 5,00 horas na frente daquela maravilha.
Ao retornar para El Calafate, satisfeito e com fome, as 20,00 hs entrei num "tenedor libre" e comi como um rei. Mas comí principalmente um maravilhoso cordeiro patagônico.
14/março/2010-DomingoMe despedí da gerente da hospedagem(era uma senhora de Clorinda, cidade do norte da Argentina onde cruzamos eu e o Wladimir ano passado) e descí para Rio Gallegos, numa viagem rápida com um vento de pôpa, como dizem os navegantes. Eram 14:00 hs quando cheguei naquele cruzamento onde o Fernando nos esperou.
Desistí de ir a Ushuaia, fica para uma outra vez..... Espero que o Fernando e o Emersom fizeram boa viagem, provavelmente já estão a caminho de volta .
Retomei a Ruta 3 no sentido do Hotel Le Marchand com um vento lateral persistente mas que já não me assustava mais, até gostava, desde que não houvessem rajadas fortes.
Cheguei no Hotel quase congelando. Pela 1ª vez sentí muito frio. Minhas mãos e pés gelaram. Quando parei tremia muito, fui ao banheiro coloquei mais roupas e tomei duas xícaras de café com leite e empanadas. Me falaram que perto dalí em Monte León nevara, mas em cima de uma moto a coisa é mais em baixo......
Na estrada outra vez , o vento estava gostoso e eu já não sentia frio.

Em Comandante Luis Piedra Buena buzinei ao passar por tres motos tipo Tornado. Parei para abastecer e beber algo quando eles chegaram: eram 3 poloneses, um homem e duas muheres, ambos na faixa dos 25 anos.

As motos eram Ching Ling 200 cc compradas em Santiago junto com barracas e toda a parafernália necessárias para uma viagem de moto. Uma menina falava "polacol" e logo iniciamos conversa. Eram muito simpáticos e só dormiam na estrada por causa da pouca grana. A previsão era de uma viagem de 4 meses indo até a Colombia ou até onde as motos aguentassem.
A menina com quem eu estava falando nunca havia subido numa moto, acreditem!!! Havia caído 8 vezes na Ruta 4o e desistiram de andar no rípio, só andariam pelo litoral (ruta 3) até Buenos Aires e depois para Mendoza.
Iriam dormir em Fitz Roy, eu tocaria ligeiro para chegar em Caleta Olivia.
Depois de instalado num hotel, saí para trocar dinheiro e jantar (raviólis com Quilmes). A moto desta vez ficaria na rua, defronte ao saguão do hotel. Retirei a maioria das bagagens e tranquei a bixinha.
15/março/2010-Segunda-feiraSaí cedo de Caleta Olívia e toquei para Comodoro Rivadávia, o dia estava perfeito e não havia vento, mas carregava comigo a página do diário de sábado da região: Na madrugada de sexta para sábado o vento atingiu 140 Km/h.

Em Comodoro saí da Ruta 3 e peguei a Ruta 26 com seus campos de petróleo. O destino era a cidade de Sarmiento pois queria subir para El Bolsón, mas antes gostaria de dar uma olhada no bosque petrificado J. Ormachea. Trata-se de uma região desértica que se parece um pouco com San Pedro de Atacama, mas que há milhões de anos atrás já foi mar e também floresta com dinossauros. Hoje existem alguns troncos petrificados espalhados numa pequena área. Almocei em Sarmiento e peguei 30 km de rípio ruim para chegar ao parque.

Na Ruta 26 novamente, segui até a cidade de Governador Costa, já na Ruta 40 onde cheguei a tardinha. Fiquei num hotel que a polícia caminera me indicou.
O dono era músico e tocava vários instrumentos, mas era também o cozinheiro. Muito simpático, com freguesia de toda a região, preparou uma ceia apetitosa. Ao som da sua música tomei uma sopa e comí um bife com purê de batatas ajudados por dois copos de vinho e sonolento fugí para o meu quarto.
16/março/2010-Terça-feiraPela manhã a sala do café estava repleta de viajantes e o dono atendia a todos como se todos fossem seus filhos. Fiz o meu desjejum paguei minha despesa (80,00 pesos uma mixaria) e caí na estrada em direção da cidade de Tecka. Neste trecho a Ruta 40 é asfaltada mas com vários pedaços em recuperação, o que provoca uma demorada pilotagem já que os desvios são de rípio. A tensão nestes casos sempre me deixava com as costas e braços doloridos. A paisagem já é mais verde, com montanhas e belas curvas, estamos ao lado da cordilheira dos Andes.

Ao abastecer num posto junto a rodovia, encontrei mais um motocilista brasileiro solitário. Era o Eduardo com sua Falcon, engenheiro civil de Porto Alegre que iniciou a viagem com dois casais em duas motos custom, mas no momento estava sozinho e retornava pela ruta 25 até Trelew e depois pela Ruta 3 para casa.
Entrei em Esquel, uma linda cidade que merece uma outra visita. É uma estação de inverno rodeada por montanhas e matas nativas, que no inverno, suas encostas nevadas favorecem a toda prática de esportes de gêlo.

Seguí para El Bolsón por uma 40 cada vez mais bela. Parei no acostamento para fixar minha câmera fotográfica no parabrisa da moto e começei a filmar belas curvas entre montanhas até chegar em El Hoyo e parar numa cervejaria artesanal. A Sheken (www.sheken.com.ar) produz uma bela cerveja artesanal e eu tive o privilégio de beber um caneco dela antes da pasteurização,

oferecido pelo Pablo. Que delíciaaaa. Comprei duas garrafas e seguí para a praça de El Bolsón onde havia uma feira.
A região é fantástica, com microclimas entre colinas geladas. A cidade foi a primeira comundade hippye da Argentina. Me acomodei num camping cervejaria (não é romântico???). A tardinha estava ensolarada e depois de um papo com tres moto-brasileiros que estavam experiementando as cervejas locais, fui num supermercado me abastecer: vinho, água mineral, um bom naco de bife de choriço e dois choriços. Vou fazer um assado no camping só prá ficar olhando a paisagem.....
17/março/2010-Quarta-feiraAcordei tarde. Dormí bem.
Começei a arrumar as coisas com cuidado. A agenda não estava . Paguei a diária e retornei 60 km afim de tentar encontrá-la perdida na estrada nos vários locais que parei para filmar ou fotografar. Nada. Retornei para El Hoyo e entrei na cervejaria. Nada. Tentamos localizar o telefone do hotel em Governador Costa pela internet. Nada.
Chateado com a perda de meus apontamentos e endereços das pessoas que conhecí pela viagem, entrei em Lago Puelo onde depois de um passeio pelo lugarejo à beira do lago, entrei em um restaurante e comí um capón estofado com batatas sauté e uma Patagonia, cerveja artesanal de côr âmbar e aroma de malte tostado. Uma delícia.

Refeito para pegar estrada, rumei para San Carlos de Bariloche por descidas e curvas maravilhosas beirando o Lago Mascardi. Em alguns trechos podia vislumbrar o Cerro Catedral.
Entrei em uma Bariloche decadente, mal cuidada. Encontrei com dificuldade uma oficina para limpar e lubrificar a corrente da "sombra"que estava num estado lastimável. O serviço era péssimo. Um ajudante não sabia como apertar a corrente que estava muito frouxa. Aproveitei para limpar o filtro de ar que estava um lixo.
Na cidade fui procurar um hotel, caminhar, jantar e comprar uma polaina que um motociclista de Salta usava quando revisava a sua XT na oficina em Rio Gallegos.
No hotel, aproveitei a calefação para secar algumas roupas e começar a escrever no novo bloco de notas, recém adquirido.
18/março/2010-Quinta-feiraSaí as 10,00 s de Bariloche. A cidade está feia, nada de novo, as ruas estão em péssimo estado.
Fui em direção a Junin de Los Andes, mas tive que retornar porque não haviam postos de combutível e eu estava com meio tanque.

Retomei o rumo e percorrí a mais bela ruta da Argentina margeando o Rio Limay. Parei para abastecer em Confluenza e seguí por 150 km até Junin, passando por rios cujas corredeiras de águas límpidas permitiam a vários pescadores divertirem-se com suas trutas. Em Junin almoçei, abastecí e me informei sobre a passagem através dos Andes até Pucón, no Chile.

Rodei por uma excelente estrada entre paisagens com córregos, montanhas, araucárias, criações, até chegar o maldito rípio. Foram 10 km até a aduana argentina e outro tanto até a aduana chilena. A estrada é belíssima entre araucarias enormes: é o Parque Lanin. Depois desses 35 km de rípio começa uma ótima estrada asfaltada em construção até Curarrehue, um povoado chileno. A descida é realizada em deliciosas curvas.

Um ano depois, cheguei novamente em Pucón e entrei no camping La Poza. Está ruim, meio abandonado, aliás a cidade está vazia. A surpresa foi um casal de franceses, extrovertidos, diferentes dos europeus, sempre muito reservados. Me conseguiram uma extensão com lâmpada porque viram que eu estava sofrendo com a minha lanterna na hora de ajeitar a barraca.
19/março/2010-Sexta-feiraChoveu a noite toda, mas não estava frio, até estava quente. Pela manhã o local estava todo molhado.

Saí para caminhar pelas ruas da pitoresca cidade parando nas esquinas para admirar o imponente vulcão Villaricca. Voltei para lavar minhas roupas já que o sol estava firme.
Girei pela cidade, aproveitando para cortar o cabelo e aparar o cavanhaque. Queria lavar a Nêga Blue mas não consegui, no Chile como na Argentina são precários os serviços oferecidos para as motos.

A cidade estava morta.
O terremoto ocorrido no Chile a quinze dias cancelara quase todos os pacotes turisticos e a cidade vive disso.
Fui dormir decidido a antecipar a minha partida. Pretendia ficar tres ou quatro dias na cidade lembrando dos passeios que fiz ano passado por aqui mas não tem jeito, a pequena cidade está tristonha com poucas pessoas circulando. Irei por um outro caminho (Passo) nos Andes.
20/março/2010-Sábado
Arrumando calmamente a barraca, guardando tudo depois de estudar os mapas que dispunha, caminhei pelo lago Villarica, fotografando e me despedindo.
Eram 11,00 hs quando partí. Passei pela cidade de Villarica e perto de Freire entrei na Panamericana, ruta 5, rumo a Lautano perto de Temuco. No Chile todos pagam pedágio, diz as placas, eu já sabia disso.
Na excelente autoestrada almocei num Copec (Estação de Serviços). Lombo de porco defumado com purê de batatas.
Desviei para Lautano e me sentí num outro mundo: pessoas diferentes, casas diferentes, costumes diferentes. É o Chile sem o apêlo turístico.

Entrei em Curacautin e me instalei na Hospedaje Aliwen, ambiente familiar transformado em albergue. Instantes depois chega uma francesa, mas eu já havia escolhido o melhor quarto.

É uma região que pouco sofreu com o terremoto graças as suas construções em madeira revestidas em alguns casos, com finas chapas metálicas. Segundo o dono do local, caíram somente os quadros das paredes e as prateleiras.
É um povo Mapuche, baixos, morenos e simples com uma qualidade a mais: sabem houvir pacientemente os estrangeiros.
Existem dois vulcões próximos, e que estão rugindo em atividade. Como em Pucón, também possui algumas estancias termais na redondeza.
Ao caminhar pela cidadezinha, entrava em bares escuros para provar o chopp local.
Entrei em outro boteco "restaurant", parece um puteiro, música de zona e cerveja quente de litro.
Recomeçei a escrever, mas a música me perturbou, era um estilo calipso gretchem sertanejo universitário. É pior do que o terremoto..........
Cheguei na hospedagem e o dono me indicou o restaurante "La Parrilla del Turista" a poucas quadras dalí. Ligou e fez a reserva para mim pedindo um bom pescado.
Um ótimo restaurante de carta internacional, pedí truta a la manteca con ensalada. Tomei um pisco ótimo para apetecer (como diz o mestre Rolim: não posso comer de estômago vazio) e uma botella de vinho.
Cheguei com frio ao meu quarto mas haviam cobertas e edredons. Boa noite my flower......
21/março/2010-Domingo
O café saiu tarde. O pão chegou as 9,oo hs, mas valeu a pena, foi o melhor café da manhã até agora, afinal na Argentina e Chile não existem "desaynos" como no Brasil.
Choveu a noite toda e ao sair para arrumar a minha motoca, havia um pano seco sobre o parabrisa. Difícil esquecer: coisas simples fazem a diferença.
Agradecí e saí devagar curtindo a paisagem exuberante numa estrada com curvas sonoras e montanhas com neblina.

Fiquei parado no túnel Las Raices de mão única esperando que passassem os veículos de sentido contrário. Atravessei os 4,0 km e o bixo pegou: chuvinha miúda e frio de lascar na subida pelas montanhas.
Entrei em Lonquimay avistando a cratera do vulcão de mesmo nome. Ao sair, parei numa espécie de belvedere e comí as duas maçãs que me restavam e o vinho que ainda carregava ao lado da shadow, afinal não se pode entrar em outro país portando alimentos, frutas e vinhos abertos.

Atravessei as duas aduanas batendo queixo e ao entrar na Argentina o maldito rípio estava lá me esperando, apesar de o mapa mostrar asfalto. Pior ainda, estava molhado e na altitude ventava.....
Entrei em Las Lajas, abastecí e toquei para Zapala num vento lateral infernal, mas descendo a serra, o tempo começou a esquentar.
A paisagem voltou a ser aquela desértica, marrom, com horizonte sem volumes.
Abastecí e rumei para Cutral-Co onde me hospedei na "Hosteria Mapuche".
Como era domingo, foi difícil achar o que comer. Fui para o hotel e aguardei até as 21,00 hs quando abririam alguns restaurantes. Não gosto de sair de moto a noite mas a fome obriga a sairmos da rotina. Em Plaza Uincul me atirei numa parrillada completa.......Ahhh coisita buena....
Os donos conhecem Florianópolis e não paravam de elogiar nossas praias e nossa gente.
Saí satisfeito e fui roncar no "mapuche".
22/março/2010-Segunda-feiraDe Cutral-Co toquei sem parar para Neuquém, não gosto de entrar em cidades grandes, trânsito lento, sinaleiras, calor infernal novamente, costas doloridas, bunda nem falar....
Parei em General Roca para abastecer e retornei para seguir por Casa de Pedra, distante 100 km. É uma represa num lago azul perdido na Pampa que parece o lado escuro da lua.
Novo abastecimento, por estas bandas não se pode vacilar.
Rumo ao povoado de Pulches pensava comigo: não conheço a África mas isso aqui se parece com uma savana africana plana só que com guanacos, emas e cordeiros rústicos.

Passei por General Acha abastecí e parei para comer algo. Prato do dia: ensopado de cordeiro. Tô dentro, como diz o Emerson ( por onde andarão aqueles dois?). Um copo de vinho, pedí. Com água mineral? Sim.
Pé na estrada, passei por Santa Rosa e me aprontei para chegar em Catrillo, mas meus botões sugeriram ir até Pellegrini. Acertei.
É uma bela e organizada cidade rural, com ruas iluminadas por postes baixos e luminárias redondas. Muito singular....

Pernoitei no melhor hotel até agora, cuja dona incansável atende a todos com rapidez. Me indicou uma pizzaria, que talvez eu encontrasse canelones que era o meu desejo.
Pedí uma Quilmes e havia ravióles. Prefiro uma pizza, falei. E o senhor escolhe os sabores.
O lugar começou a lotar..... Pedí outra cerveja quando a pizza chegou. O dono já estivera no Brasil, em Novo Hamburgo e falou pra todo mundo que no Brasil, acreditem: existem loiros de olhos claros. Tóimmm. Parece que pensavam? Ohh um brasileiro, mas não é preto? não é pardo? O cara era uma mala falante. E o filho dizia que no Brasil fazem pizzas excelentes e de tudo o que é sabor, até de chocolate......
Na verdade, acho que era a 1ª vez que aparecia um brasileiro por aquelas terras.
Mas o doido falava demais e nao me entendia e eu idem......
No hotel, após uma ducha morna, capotei.
23/março/2010-Terça-feiraMadruguei. Toquei sem parar. Só abastecia e pilotava.
Entrei na região metropolitana de Buenos Aires e o transito era perigoso. Já sabia que os argentinos não respeitam a sua faixa, correm em zigue-zague pela autopista. Aqui as motos pagam pedágio. Observando as placas indicativas, cheguei na 9 de julho e passei do obelisco. Tive que retornar num transito pesado, para buscar Puerto Madero e o terminal do Buquebus.
Atrasos, burocracia, aduana, enfim, tudo o que a américa colonial nos premia.
Entrei no ferryboat rápido (18,00 hs, mas saiu as 19,30 hs) me instalei e uma hora depois, descia em Colonia del Sacramento no Uruguai. Ufa, tô em casa.
Busquei o Hotel do ano passado, mas não havia vagas, fiquei no Hotel Leoncia no melhor apartamento. Era o que sobrou.
Ao guardar a Nêga, ví que haviam tres motos de Santa Catarina, duas de Balneário Camboriú e uma de Floripa.
Tomei uma ducha relaxante e saí para jantar. Merecia algo substancioso. Comí um suculento bife de lomo com fritas e uma Norteña.
24/março/2010-Quarta-feiraNo café da manhã identifiquei os brasileiros e fui me apresentar.
Os dois de Camboriú estavam indo a Buenos Aires, mas deixariam as motos no hotel, coisa que se deve fazer. O outro de Floripa, com sua HD Fat Boy voltaria para casa. Já havia morado 7 anos na Argentina.

Combinamos de voltar juntos e me acompanharia até Jaguarão, fronteira com Rio Branco no Uruguai. Perguntou a que velocidade eu gostava de pilotar. Seguiríamos por uma rota que não conhecíamos. Sugerí uma rota diferente das que já havia percorrido. Foi um perfeito retorno. O Hélio é um sujeito experiente e de ótimo humor. Saindo de Colonia passamos por San José de Mayo, Canelones, Soca, Minas, Treinta y Tres, Vergara e Rio Branco. Almoçamos à beira da estrada num quiosque que fazia assados de "costillas" sem sal.

Pé na estrada, rodamos longo trecho a 120 km/h , até que minha moto ficou sem combustível a 1,0 km de um posto perto de Trenta y Tres.
O Hélio foi buscar dois litros e seguimos para a fronteira com o Brasil.
Chegamos em Rio Branco passamos na aduana e fomos ao free shop comprar alguns produtos para depois nos hospedarmos no Hotel Rio's.
A noite jantamos no lado uruguaio.
25/março/2010-Quinta-feiraPela manhã após o café fui trocar o óleo e filtro da shadow enquanto o Hélio ficaria arrumando suas coisas. O serviço na moto demorou tanto que ao chegar no hotel, o parceiro deixou um recado que necessitava estar ainda hoje em Florianópolis.
Eu partí para Porto Alegre, para no dia seguinte estar em casa.
Foram 10.810 km rodados numa viagem quase perfeita, que alimentará muitos sonhos ainda......